Sabe aquela sensação de abrir o catálogo da Netflix e passar quarenta minutos navegando sem conseguir escolher nada, para no fim acabar desligando a TV? Pois é, o mercado imobiliário de luxo está vivendo um fenômeno assustadoramente parecido. A gente costuma achar que ter opções é um privilégio, mas, para quem está no topo da pirâmide, o excesso de oferta sem filtro é, na verdade, um grande ruído que gera cansaço e, pior, paralisia. O comprador de alto padrão não sofre de escassez financeira, ele sofre de escassez de tempo. Quando um cliente com um orçamento de oito ou dez milhões de reais decide buscar um novo refúgio, ele não quer receber um link de portal com cinquenta imóveis “parecidos”. Ele quer alguém que já tenha descartado os quarenta e sete que não servem para ele. É aqui que a figura do corretor de imóveis deixa de ser a de um intermediário e passa a ser a de um curador. Há pouco tempo, acompanhei um caso que ilustra bem isso.
Um empresário do setor de tecnologia buscava uma cobertura em São Paulo. Ele já tinha falado com três imobiliárias diferentes. O resultado? Recebeu dezenas de PDFs, fotos de ângulos ruins e descrições genéricas que focavam apenas em “metragem e número de vagas”. Ele estava exausto. O excesso de opções irrelevantes fez com que ele desistisse da compra por quase seis meses, achando que o mercado estava “ruim”. O jogo mudou quando ele encontrou um profissional que fez algo radicalmente simples: parou de enviar links. Esse corretor passou uma tarde entendendo a rotina do cliente, desde onde ele gostava de tomar café até o silêncio necessário para suas reuniões de vídeo. No final, apresentou apenas duas opções. Uma delas nem estava oficialmente no mercado (o famoso off-market). O imóvel não era o maior da lista anterior, mas era o que tinha a luz exata e a logística perfeita. A venda foi fechada em uma semana. A curadoria imobiliária exige uma análise técnica profunda que vai muito além da estética. O curador entende de urbanização e sabe se aquele terreno vazio na frente do prédio vai virar um espigão que matará a vista em dois anos.
Ele entende de home staging e consegue sugerir uma reforma para valorização que o comprador, muitas vezes, não visualiza de imediato. No mercado de luxo, o valor não está na informação — a informação está em todo lugar, no Google, no Instagram, nos portais. O valor está no filtro. Outro ponto crítico é a documentação imobiliária. No segmento premium, as transações são complexas, envolvendo muitas vezes holdings e estruturas societárias. O corretor curador já faz essa pré-análise. Ele não leva o cliente para visitar um imóvel que tenha qualquer “embaraço” jurídico que vá travar a escritura lá na frente. Ele protege o patrimônio e a saúde mental do comprador. O mercado está saturado de “vendedores de m2.2”. O que falta são profissionais que entendam que, no luxo, menos é muito mais. A curadoria é a arte de dizer “não” para noventa e nove imóveis para que o cliente possa dizer o “sim” certeiro para um só. No fim das contas, a valorização imobiliária de um portfólio não depende de quantas opções você olha, mas da precisão da escolha que você faz. Se você é investidor ou está buscando seu próximo lar, o conselho é um só: fuja de quem te manda listas infinitas. Procure quem te faz as perguntas certas e te entrega o tempo de volta. Afinal, no mercado de alto padrão, o luxo supremo não é ter tudo à disposição, é ter exatamente o que importa. www.remax.com.br/aluguel-kitnet-brasilia-asa-sul/